segunda-feira, 16 de novembro de 2009
cumprimentos
- Tudo bem com você?
- Tudo bem... tirando os problemas...
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
coleções
Estranhas as razões por que começamos uma coleção de qualquer coisa. Um dia, nós olhamos para um objeto com um carinho especial. E o compramos. Logo mais, encontramos um outro do mesmo tipo e acabamos comprando-o também. Depois, colocamos esse junto com aquele que compramos primeiro. Bem, quando chega o terceiro, já é uma coleção. E daí para aumentá-la... Até os amigos íntimos ajudam nos brindando com uma pecinha a mais.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
horas bolas!
Ela, como de costume, preocupadíssima com o horário, cumpriu-os todos.
Bem... quase todos.
sábado, 24 de outubro de 2009
murphy, este meu velho conhecido
"Se algo tiver que dar errado... dará!"
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
formigas
domingo, 4 de outubro de 2009
pessoas II
Tento escolher um banco para me sentar. O que tinha visto antes estava ocupado por um casal de namorados no auge da paixão...
- Melhor procurar outro lugar - pensei.
Acabo encontrando um banco numa pracinha com vista para uma pontinha do Pathernon. Só que - já tinha alguém sentado nele também... Mas o cansaço me faz capitular. Antes, reparo se a pessoa poderia ser inconveniente. Era um rapaz mal-vestido de cabelos compridos, estilo "riponga" e olhar para o infinito.
- Deve ser "da paz", concluí. E me sentei.
O rapaz continuou a olhar para o infinito durante a meia hora em que ali fiquei.
Repostas as minhas energias, fui passear mais um pouco: vi um grupo de dançarinos típicos, a animação nos restaurantes. Umas duas horas mais tarde, quando passei pela rua em que havia sentado para descansar, vi que o moço ainda estava lá. Na mesma posição. Com o mesmo olhar fixo.
Aquele cena cortou-me o coração.
domingo, 27 de setembro de 2009
pessoas

- Oi. Eu perguntei à recepcionista do hotel se tinha algum brasileiro hospedado e ela me disse que tinha você. Eu não falo bem inglês, estou sozinha e gostaria de ter companhia para conhecer Londres.
Um pouco confusa, acabei por responder que sim, que a gente poderia combinar alguma coisa durante o café da manhã.
Ao desligar o telefone, fiquei com um pouco de inveja desta brasileira. Eu nunca teria coragem de fazer tal abordagem com desconhecidos, mas sabia que ela estava corretíssima. Será que sou européia demais, apesar de ter nascido no Brasil?
De qualquer forma, foram dois dias muito agradáveis passeando em Londres, com a agora não tão desconhecida e muito simpática brasileira.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
viagens...
sábado, 22 de agosto de 2009
inverno

Bem, a questão é que, depois de eu ter pego três gripes neste inverno, sendo que na última delas, temi pela minha vida, comecei a achar que talvez Arcimboldo tivesse razão...
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
olhos de ressaca

Nem sei porque estou me lembrando deste caso, mas o fato é que recentemente fui parar num curso chamado Técnicas de Apresentação. Eu nem cogitava qual poderia ser o conteúdo de um curso com este nome. Mas já que tinha que ir, fui. Esses cursos geralmente começam da mesmo forma: com o instrutor fazendo todos se apresentarem. E todo mundo, meio sem graça, começa a dar algumas informações - geralmente insuficientes - sobre si mesmo. (Afinal, como nos resumir em meia dúzia de frases?) Após este início habitualmente constrangedor e a explanação da instrutora sobre as técnicas que fazem uma apresentação se tornar mais interessante (ora! era isso então?), veio a bomba: teríamos somente a noite para prepararmos uma apresentação sobre um assunto que não se referisse a trabalho (ah! não!???) no dia seguinte, sujeita às críticas de todos nós. Voltei para casa com milhares de assuntos pululando na minha mente, mas nenhuma certeza sobre qual deles seria o mais interessante para os meus colegas. Acabei concluindo que, se não acharmos interessante aquilo que sobre o qual estamos falando, como fazer com que as outras pessoas se interessem também? E foi aí que eu me lembrei de toda a minha admiração pela obra de Machado de Assis; escolhi trechos que mais me marcaram em alguns livros, coloquei-os às pressas num power-point e fui dormir tranquila.
Foi muito compensador quando terminei a apresentação no dia seguinte. Os quarenta minutos passaram tão rápido para mim, quanto para os demais presentes. A instrutora disse que todos tinham ficado com cara de "quero mais".
domingo, 16 de agosto de 2009
celulite???!!!!!
Espaço: Adjacências do trabalho.
Tempo: Retorno do almoço.
Situação: Mendigo que, ao ver três "moçoilas" (daquelas nas quais o termo "balzaquiana" já começa a deixar saudades...), diz:
- Que celulite, hein!
Uma delas:
- Celuliite!!!!!!!!????? Como assim, eu estou de calça!
A segunda:
- Eu também. Que bobo! Celulite!!???
A terceira:
- Eu acho que ele nem sabe o que é celulite.
Todas enfurecidas.
A primeira de novo:
- Não que eu não a tenha. Mas reitero: eu estou de calça. Não dá para enxergá-la.
A segunda de novo:
- Eu também tenho, mas continuo achando que ele não sabe o que é celulite.
A terceira arremata:
- É. Ele deve ter confundido a palavra celulite com silicone.
Desfecho:
As três seguem o caminho um tanto mais resignadas com tão inadequado comentário.
terça-feira, 28 de julho de 2009
autonomia e dependência
Como sempre, os pensamentos fluiam dialeticamente. Eles iam: pequenos planos, algumas idéias. Eles voltavam: uma torrente de lembranças recentes e outras não tão recentes. Eles alinhavavam o passado, o presente e o futuro, perscrutavam a realidade, imaginavam, ponderavam, concluiam...
O pequeno projeto matinal mais próximo era: levantar, tomar uma ducha e trocar de roupa. Mas no primeiro movimento para começar a executá-lo, o corpo fraquejou, a visão embaçou e tudo se tornou misteriosamente escuro.
A mente agitada foi abandonada pelo desfalecimento do corpo, que se acomodou na debilidade causada pela pneumonia, ficando inerte por alguns instantes. Um pouco mais tarde, o intento acabou sendo realizado, mas com a necessária ajuda de outros.
Dessa experiência, ficou o reconhecimento do descompasso existente entre a mente e o corpo em algumas situações.
sábado, 25 de julho de 2009
havia uns tanques no caminho de volta para casa...

Algumas fotos são carregadas de significados. A de cima, sem dúvida, é uma delas.
Talvez porque este chinês tenha realizado o nosso sonho secreto de vencer o sistema, mesmo que por alguns instantes.
Talvez pelo encanto de sua atitude, que conseguiu reunir substantivos díspares como ingenuidade: afinal, como poderia um homem armado com duas sacolas deter uma coluna de tanques de guerra? e coragem: mas que ousadia! tentar impedir com o seu corpo frágil estes tanques?
Talvez porque ele representasse o homem comum: teria ele feito compras em uma quitanda e se dirigia para sua casa, após um dia de trabalho, quando concluiu que poderia interromper a marcha de ignominiosos tanques de guerra que rumavam para a Praça da Paz Celestial com o objetivo de, mais uma vez, massacrar os estudantes que clamavam por um sistema de governo mais justo?
Quem era ele? Que fim levou? São contraditórias as respostas a estas indagações.
Mas que ele foi o nosso herói secreto, ah! isto ele foi.
Para quem quiser ver o vídeo, impressionante também, acesse:
http://www.youtube.com/watch?v=OvA-blNvSgY
quinta-feira, 23 de julho de 2009
peste

Época de peste, ou melhor, de vírus...
Lembro-me do livro Decameron. Fugindo da peste bubônica na Idade Média, alguns jovens se exilaram, e, para passar o tempo, começaram a contar estórias, em sua maioria, eróticas. Nada que não pudesse ser exibido numa novela das oito de hoje em dia, diga-se de passagem.
No México, quando a epidemia da gripe suína esteve em seu auge, as ruas ficaram desertas... É, os mexicanos se recolheram tais como os personagens de Decameron.
Fico pensando. Hoje, se tivéssemos que nos refugiar por alguns dias dentro das nossas casas, diferentemente de contar estórias, teríamos outros passatempos: internet, joguinhos, conversas ao telefone, tv e, sobretudo, muito, muito trabalho para fazer em casa também.
Mas a variação nas modalidades de entretenimento não altera o sentimento em comum que nos liga aos nossos antepassados medievais: o medo.
sábado, 18 de julho de 2009
maluma e takete

O professor de linguística apresentou dois desenhos: um se chamava maluma, o outro takete. Pediu para que apontássemos qual desenho era o maluma, qual o takete. Sem pestanejar, repondemos que o sinuoso, com o formato de uma ameba, certamente seria o maluma. Já o com traços rudes, bruscos, seria o takete.
Satisfeito, ele disse que havia sido feita esta mesma pergunta a diversas pessoas falantes das mais variadas línguas e dialetos e todas haviam respondido da mesma forma.
Comecei a associar as línguas que já escutara, umas tão melodiosas e suaves, outras com os tons mais ríspidos. Todavia, segundo essa pesquisa linguística, até os falantes dessas línguas mais ásperas aos nossos ouvidos souberam distinguir o som mais agradável e apontar para o desenho que entenderam expressar essa harmonia.
O som da letra "l" e da "m" são brandos, macios, amenos e aprazíveis aos sentidos. Diferentemente do "t" e do "k" do exemplo dado pelo linguista - ao qual eu sem dúvida acrescentaria o "r" e o "z" - que nos soam um tanto quanto inarmônicos.
E lembrei-me de uma preocupação esquisitíssima que tive uma vez, quando estava conversando com um brasileiro, mas próxima a pessoas de diversas nacionalidades, em escolher as palavras que eu entendia como as mais suaves para que elas tivessem uma boa impressão do sonoridade do português. Não ousaria, por exemplo, pronunciar perto delas o termo carrapato e similares... (cada preocupação que já tive...)
Mas para o meu alívio, já ouvi de alguns estrangeiros que o português é uma língua suave e elegante.
Maluma, talvez?
quinta-feira, 16 de julho de 2009
sem palavras
terça-feira, 14 de julho de 2009
N Y C
sábado, 4 de julho de 2009
sobre ética e vocação
A palavra ética me faz lembrar o livro de Orwell, “1984”, que li há muitos anos atrás, precisamente em... 1984. Para quem não leu: o sistema de governo existente cuidou de criar uma nova língua da qual determinadas palavras simplesmente foram banidas. O objetivo pretendido era o de que, uma vez eliminada a palavra, seu conceito também fosse eliminado das mentes das pessoas. Por exemplo, se as pessoas não conhecessem a existência da palavra “liberdade”, consequentemente desconheceriam o seu significado e, portanto, seriam presas fáceis da dominação, sobretudo, por não incomodarem.
Mas com cinco minutos de fala, o palestrante, um professor de filosofia que, à primeira vista, parecia um tanto quanto “nerd” demais, conseguiu me desarmar. E eu acabei por "arquear minhas sobrancelhas" - o que faço sempre que algo me desperta a atenção.
Mas não vou me prolongar aqui no tema ética. Vou me deter em um parêntese da sua fala: o momento de sua vida em que ele descobriu qual era a sua vocação, o que o fazia feliz.
Ele tinha doze anos e, até então, se sentia um tanto quanto desajustado em seu meio. Naquele dia, porém, chegara seu momento de expor um seminário que seu professor havia pedido uns dias antes para que cada um de seus alunos preparasse. Ele então discorreu sobre o tema petróleo por trinta minutos. E durante essa apresentação, percebeu que, finalmente, se sentia à vontade com o que fazia. Que estava realmente "curtindo" aquilo. E a recíproca era verdadeira, porque seu professor e os demais alunos, de tão maravilhados com sua exposição, pediram que ele a continuasse por mais trinta minutos. Ele aceitou prontamente.
Não conseguiria reproduzir aqui o que o palestrante narrou desta experiência - só posso adiantar que foi de "chorar de rir". Até nome tirado das estórias de rin-tim-tim ele tomou emprestado para denominar "substâncias existentes" nas camadas inferiores do subsolo... E ainda pediu para que seu professor tomasse nota...
E ele descobriu aos doze algo que, muitos anos mais tarde, mesmo chegando atrasada, eu iria constatar: realmente ele possuía o dom da oratória e do magistério.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
encontrei alguém mais lento do que eu de manhã!
Faço a curva fechada numa estradinha ladeada de árvores que desemboca na rodovia, indo apressada para o trabalho, e vejo um animal começando a atravessá-la.
Estranho como nosso cérebro reage ao que não é costumeiro. O animal se parecia com um cachorro poodle, mas o meu cérebro, apesar de uma certa confusão inicial, em centésimos de segundos reconheceu que não se tratava de um poodle. Fico imaginando os neurônios fazendo a associação da imagem que o olho capta com as imagens de outros animais devidamente catalogadas e armazenadas nas gavetinhas cerebrais. E descartando-as até chegar a uma conclusão - neste caso específico - que era um bicho-preguiça!!?
Parei o carro alguns metros antes dele, numa reação instintiva de proteção ao bichinho que tentava atravessar uma estrada, depois de uma curva, em seu ritmo devagar quase parando e, incrível ... achando que fosse sobreviver...
O que eu poderia dizer que senti? Bem, foi amor à primeira vista... Ele, além de ter um olhar amoroso, parecia sorrir. Senti-me tremendamente honrada e surpresa em saber que tinha vizinhos assim tão ilustres.
Pensei em uma forma de salvá-lo e que se danasse o horário. Não poderia deixar um bichinho tão lindo entregue à sua própria sorte.
Mas, digamos que ele, apesar de ser uma simpatia, não primasse muito pelo asseio: seus pelos são cobertos pelo que me pareceu ser um musgo verde, mas que mais tarde, procurando avidamente na internet saber tudo sobre a minha última paixão, descobri serem algas que servem de alimento para as lagartas de mariposa, suas amiguinhas íntimas...
Por sorte, um carro apareceu e eu acenei para que o motorista parasse. O condutor, assim que viu o bicho-preguiça, foi tomado pelo mesmo ardor pela causa que eu - este bichinho é mesmo um sucesso de público, devo reconhecer - e, com muita delicadeza, levou-o de volta ao seu habitat.
E eu fui trabalhar um pouquinho mais feliz.
Já que alguns raros amigos meus que são leitores deste blog reclamaram da falta de imagens (disseram que blog bom tem que ter muitas fotos e pouquíssimo texto...) vai aí uma foto da minha nova paixão.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
abraço
a galinha que não queria os ovos de ouro
Ah! Já sei! Vou inventar uma estória.
E aí comecei a contar uma estória sobre uma galinha que queria ter pintinhos, mas não conseguia botar ovos.
Meu sobrinho começou a se interessar. Aproveitei para caprichar mais no enredo.
A galinha sofria e chorava pela falta de possibilidade de ser mãe. Foi procurar um médico. Este lhe disse que ela teria que se submeter a uma cirurgia de alto risco. A galinha não se importava. Queria a todo custo ser mãe. Marcou a cirurgia.
Meu sobrinho atento, nem se mexia no sofá...
A cirurgia foi realizada. A galinha demorou a se recuperar. Quando finalmente se restabeleceu, dirigiu-se ao ninho e... botou um ovo.
Vislumbrei um sorrisinho de alívio no garoto. Mas minha irmã ainda ia demorar e eu não podia dar um desfecho naquela estória tão cedo... Precisava mantê-lo quieto.
Mas o ovo era... de ouro!? A galinha ficou horrorizada. Eu não quero um ovo de ouro! Eu quero os meus pintinhos! - gritou desesperada.
Mas a galinha estava determinada... Não queria os ovos de ouro. Queria seus pintinhos!
Olhei para o meu sobrinho de soslaio. Ele estava apreensivo com o desenrolar dos últimos acontecimentos na estória. Vou ter que dar uma virada no rumo, pensei. Esse é o lado bom de ser a dona da estória. Existe a possibilidade de se adaptar o enredo conforme a resposta do público. O público, no caso, era o meu sobrinho que, nesta altura, estava totalmente imerso no drama da galinha, com o semblante triste.
Antes que a minha consciência começasse a pesar, providenciei uma outra consulta no médico da galinha.
Este, após examiná-la, concluiu que podia fazer uma nova cirurgia. E a galinha se dirigiu para a clínica esperançosa com a nova possibilidade de ver o seu sonho se realizar. E para a sua total felicidade, depois da cirurgia, ela rumou novamente para o seu ninho, e botou ovos! Ovos de verdade!
Meu sobrinho abriu um sorriso...
Meu sobrinho se emocionou. Lágrimas desceram pelo seu rostinho. Oh Tia, essa estória é muito triste....
Minha irmã chegou. Oba!
P.S. O meu sobrinho ficou tão encantado com a estória que a repetiu - ele mesmo - para a sua mãe. E voltou a ficar com os olhos marejados quando contou o final...
terça-feira, 30 de junho de 2009
como nasce uma crônica...
“ Hoje, quando eu vinha para cá, vi um mendigo e o seu cão dormindo na rua. Então, uma pessoa veio e entregou-lhe um saco de pão. O mendigo, para o meu espanto, deu o primeiro pedaço para o cachorro e só depois é que comeu. Eu me lembrei de que a minha esposa tinha me falado sobre uma escritora que sai às ruas para ter assunto para escrever em suas crônicas diárias. Seria bem interessante se ela tivesse presenciado essa cena do mendigo. Ela teria o que escrever”.
Ele foi para a sua sala e eu fiquei pensando... Fazia muito tempo que não escrevia. Aliás, com exceção de textos técnicos, não escrevia desde os tempos de redação do colégio. De qualquer forma, na hora do almoço, postei-me em frente ao computador, escrevi o texto abaixo, e enviei-o para o seu endereço eletrônico. Foi muito divertido ver a sua expressão quando veio me falar da crônica...
Típica manhã cinzenta de inverno no centro de São Paulo. Estava frio. Especifico, pois, nestes tempos em que a estação do ano não pode mais ser identificada pelo clima, a redundância é justificável. Caminho para o trabalho. Sigo apressado, no ritmo da cidade. Um pouco mais a minha frente, vejo um mendigo embrulhado em um cobertor: destes que já fazem parte da paisagem urbana e não despertam mais tanta compaixão. Não era um mendigo solitário, reparo. Deitado ao seu lado, um cachorro lhe faz as vezes de amigo, de ente familiar ou daquela bola Wilson do náufrago, não sei ao certo. Vejo uma pessoa se aproximar, entregar-lhe um pacote e rapidamente se distanciar. Diminuo o passo. Puro reflexo da curiosidade a se aguçar. O mendigo abre o pacote: dentro, pequenos pães de queijo. Ele se ajeita, pega o primeiro e o oferece à sua companhia. O cachorro se espreguiça e começa a cheirar o pão, dando a impressão de que poderia não se interessar. Mas, após o olfato aprovar, acaba comendo, mastigando compassadamente. Só depois é que o mendigo se serve. Neste momento, já não tenho mais ângulo para observá-los. Sigo adiante: tenho que chegar a tempo ao trabalho e não posso mais dar atenção a dois seres abandonados que se encontraram na rua.