terça-feira, 28 de julho de 2009

autonomia e dependência

Amanheceu. O branco do quarto no hospital começou a incomodar.

Como sempre, os pensamentos fluiam dialeticamente. Eles iam: pequenos planos, algumas idéias. Eles voltavam: uma torrente de lembranças recentes e outras não tão recentes. Eles alinhavavam o passado, o presente e o futuro, perscrutavam a realidade, imaginavam, ponderavam, concluiam...

O pequeno projeto matinal mais próximo era: levantar, tomar uma ducha e trocar de roupa. Mas no primeiro movimento para começar a executá-lo, o corpo fraquejou, a visão embaçou e tudo se tornou misteriosamente escuro.

A mente agitada foi abandonada pelo desfalecimento do corpo, que se acomodou na debilidade causada pela pneumonia, ficando inerte por alguns instantes. Um pouco mais tarde, o intento acabou sendo realizado, mas com a necessária ajuda de outros.

Dessa experiência, ficou o reconhecimento do descompasso existente entre a mente e o corpo em algumas situações.

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