segunda-feira, 16 de novembro de 2009

cumprimentos

Encontro casual na hora do almoço.
- Tudo bem com você?
- Tudo bem... tirando os problemas...

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

coleções


Estranhas as razões por que começamos uma coleção de qualquer coisa. Um dia, nós olhamos para um objeto com um carinho especial. E o compramos. Logo mais, encontramos um outro do mesmo tipo e  acabamos comprando-o também. Depois, colocamos esse junto com aquele que compramos primeiro. Bem, quando chega o terceiro, já é uma coleção. E daí para aumentá-la... Até os amigos íntimos ajudam nos brindando com uma pecinha a mais.
Costumo dizer que não saio procurando os objetos da minha coleção. São eles que me encontram. E quando os vejo... a atração é irresistível. Sempre acabam cabendo no meu orçamento, pois penso: "Ora, se eu gasto dinheiro com alguma bobagem qualquer, porque não gastar com algo útil?"
No cérebro de qualquer colecionador, aumentar a coleção não só é útil como necessário...
E aí, as coleções vão dominando a prateleira, o móvel e, às vezes, até a casa inteira.
No meu caso, ela começou em uma prateleirazinha do armário da cozinha. Tempos depois, já havia desalojado os copos que ocupavam a prateleira inferior e que tiveram de se mudar - contrariados - para outro local. Mais um tempinho, e apropriara-se do território das xícaras, que foram fazer companhia para os copos em um local mais apertado...
E se elas continuarem insistindo em me encontrar por aí, já, já vou ter que arrumar um local só para elas. Ah sim! Já ia me esquecendo de dizer: "elas" porque faço coleção de galinhas. Como qualquer colecionara, sou capaz de lembrar onde foi que encontrei cada uma delas pela primeira vez e elas acabam tendo sua própria história. 
E como fui responsável por elas estarem ali reunidas, o meu orgulho é indisfarçável...


terça-feira, 27 de outubro de 2009

horas bolas!






Ela sempre fôra pontual. Deveria ter nascido na Suíça. Mas não, ela nascera no Brasil - um país cujos habitantes, em uma quantidade expressiva, possuem alguns hábitos estranhos como, por exemplo, o de chegar a uma festa algumas horas depois do horário combinado.
Um país em que, se alguém quiser que uma reunião comece em um horário "x", marca-la-á pelo menos com meia hora de antecedência, para "dar tempo" de todos chegarem...
Um país em que, se a noiva chegar pontualmente à igreja, correrá o risco de entrar com ela vazia, ou com apenas parte dos convidados presentes. 
Mas voltemos à personagem principal, que aliás tinha entrado na igreja no dia de seu casamento com pouquíssimos convidados (no final da cerimônia, entretanto, a igreja estava repleta). Bem, esta brasileira cansou de encher bexigas nas festas infantis de seus parentes, pois ela acreditava piamente no horário impresso no convite. Resultado: quando chegava na casa do aniversariante ainda havia as bexigas para serem enchidas...
Um dia ela se irritou e disse: - Eu não vou mais chegar no horário marcado. Vou chegar uma hora depois!
Ela encheu bexigas mais uma vez, pois a festa atrasou duas horas...
Esta pessoa foi viajar para outro país e pegou um ônibus de excursão para conhecer uma cidade. Aqueles passeios em que o guia diz:          -Temos quinze minutos para ficar na praia! Vinte minutos para visitar o museu!
Ela, como de costume, preocupadíssima com o horário, cumpriu-os todos.
Bem... quase todos.

Quando ela saiu de um museu, no horário limite, mas sempre atenta ao relógio, o guia lhe disse: - Nesta lojinha os preços são muito bons!
Ela, entretanto, perguntou ao guia: - Mas nós temos tempo? Ele lhe disse prontamente: - Não se preocupe. Fique à vontade...
Ela hesitou um pouco, mas acabou entrando na lojinha. O guia estava por lá. Ela sempre lhe perguntava: - Ainda temos tempo? Ao que ele lhe respondia: - Pode ficar o tempo que quiser.
Ela comprou algo rapidamente.
Quando, finalmente, entrou no ônibus, todos os demais já estavam lá e a encaravam com olhares pouco amistosos.
Ela corou. E ouviu do guia a seguinte explicação a uma turista alemã:
- Vocês alemães são muito pontuais. Mas você tem que entender que ela é brasileira. Os brasileiros são diferentes, não ligam muito para o horário...
A brasileira pontual pensou coisas impublicáveis a respeito do guia...

sábado, 24 de outubro de 2009

murphy, este meu velho conhecido


"Se algo tiver que dar errado... dará!"

O que é pior do que um voo atrasar? É você perder a conexão. O que é pior do que você perder a conexão? É você saber, quando chegar, que o outro voo só irá partir dali sete horas. E o que é pior do que este voo partir dali sete horas? É este outro voo atrasar...

O que é pior do que uma dor aguda no seu dente bem longe de seu dentista? (digamos... 9.000 km de distância?) É o anti-inflamatório e o antibiótico que o seu dentista recomenda por telefone, além de tirarem o seu ânimo, começarem a dar alergia na pele. O que é pior do que se coçar desesperadamente? Algumas aftas aparecerem na sua boca. O que é pior do que algumas aftas na sua boca? Elas se multiplicarem a  ponto de quase impedirem por completo a comunicação e a ingestão de alimentos... (difícil encontrar algo pior do que isto numa viagem...)

Ainda bem que esta malfadada lei nem sempre me acompanha...


quarta-feira, 14 de outubro de 2009

formigas



Adoro formigas. Só me esqueço do quanto as adoro quando elas estão atacando meu doce. 
Gosto de sua determinação.
Já tentou impedir com seu dedo o percurso de uma formiga? Imediatamente, ela tenta outra via. E assim o fará, obstinada e incansavelmente, caso o "espírito momentâneo da maldade" se apodere de você para continuar tentando impedi-la de seguir seu caminho.
Formigas me fazem lembrar da nossa fragilidade, mas também me fazem lembrar da nossa força.
Acho que acordei me sentindo uma formiguinha atômica nesta manhã... Atômica e um tanto quanto piegas...



domingo, 4 de outubro de 2009

pessoas II


Final de tarde em Atenas. Percorro as ruazinhas estreitas do bairro antigo - queria esperar pelo anoitecer antes de voltar para o hotel.
Tento escolher um banco para me sentar. O que tinha visto antes estava ocupado por um casal de namorados no auge da paixão...
- Melhor procurar outro lugar - pensei.
Acabo encontrando um banco numa pracinha com vista para uma pontinha do Pathernon. Só que - já tinha alguém sentado nele também... Mas o cansaço me faz capitular. Antes, reparo se a pessoa poderia ser inconveniente. Era um rapaz mal-vestido de cabelos compridos, estilo "riponga" e olhar para o infinito.
- Deve ser "da paz", concluí. E me sentei.
O rapaz continuou a olhar para o infinito durante a meia hora em que ali fiquei.
Repostas as minhas energias, fui passear mais um pouco: vi um grupo de dançarinos típicos, a animação nos restaurantes. Umas duas horas mais tarde, quando passei pela rua em que havia sentado para descansar, vi que o moço ainda estava lá. Na mesma posição. Com o mesmo olhar fixo.
Aquele cena cortou-me o coração.
Não fiquei com pena por causa de seu estado. Fiquei com pena porque ele estava naquele estado e só.

domingo, 27 de setembro de 2009

pessoas


Quarto de hotel. Londres. O telefone toca. Uma voz feminina em português:
- Oi. Eu perguntei à recepcionista do hotel se tinha algum brasileiro hospedado e ela me disse que tinha você. Eu não falo bem inglês, estou sozinha e gostaria de ter companhia para conhecer Londres.
Um pouco confusa, acabei por responder que sim, que a gente poderia combinar alguma coisa durante o café da manhã.
Ao desligar o telefone, fiquei com um pouco de inveja desta brasileira. Eu nunca teria coragem de fazer tal abordagem com desconhecidos, mas sabia que ela estava corretíssima. Será que sou européia demais, apesar de ter nascido no Brasil?
De qualquer forma, foram dois dias muito agradáveis passeando em Londres, com a agora não tão desconhecida e muito simpática brasileira.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

viagens...



Eu nunca sei, quando viajo, se é mais gostoso partir ou chegar.

Quando eu vou, carrego comigo tantos planos, tantas expectativas...

Quando volto, trago uma saudade do que deixei aqui...

Parece que só é bom ir, porque temos para onde voltar.

E por falar nisso, estou indo outra vez. Com tantos planos, tantas expectativas... rs

sábado, 22 de agosto de 2009

inverno




A primeira vez que vi os quadros da série "as estações do ano" de Arcimboldo, surpreendi-me com a feiura do Inverno em contraste com a beleza da Primavera, Verão e Outono. Pode ser que, pelo fato de viver em um país cujo clima seja temperado, eu tenha achado injusto de sua parte retratar de forma tão horrenda uma estação do ano que me era agradável e que considerava tão romântica. Tivesse eu padecido com os rigores do inverno europeu, ou ainda, tivesse sido sua contemporânea nos idos do século XVI, época na qual o inverno era muito mais difícil de ser suportado do que o dos dias atuais com seus sistemas de calefação - nada havia além do parco calor do fogo para amainar os efeitos das temperaturas inferiores a zero - não o teria considerado tão insensível assim.
Bem, a questão é que, depois de eu ter pego três gripes neste inverno, sendo que na última delas, temi pela minha vida, comecei a achar que talvez Arcimboldo tivesse razão...

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

olhos de ressaca


Nem sei porque estou me lembrando deste caso, mas o fato é que recentemente fui parar num curso chamado Técnicas de Apresentação. Eu nem cogitava qual poderia ser o conteúdo de um curso com este nome. Mas já que tinha que ir, fui. Esses cursos geralmente começam da mesmo forma: com o instrutor fazendo todos se apresentarem. E todo mundo, meio sem graça, começa a dar algumas informações - geralmente insuficientes - sobre si mesmo. (Afinal, como nos resumir em meia dúzia de frases?) Após este início habitualmente constrangedor e a explanação da instrutora sobre as técnicas que fazem uma apresentação se tornar mais interessante (ora! era isso então?), veio a bomba: teríamos somente a noite para prepararmos uma apresentação sobre um assunto que não se referisse a trabalho (ah! não!???) no dia seguinte, sujeita às críticas de todos nós. Voltei para casa com milhares de assuntos pululando na minha mente, mas nenhuma certeza sobre qual deles seria o mais interessante para os meus colegas. Acabei concluindo que, se não acharmos interessante aquilo que sobre o qual estamos falando, como fazer com que as outras pessoas se interessem também? E foi aí que eu me lembrei de toda a minha admiração pela obra de Machado de Assis; escolhi trechos que mais me marcaram em alguns livros, coloquei-os às pressas num power-point e fui dormir tranquila.
Foi muito compensador quando terminei a apresentação no dia seguinte. Os quarenta minutos passaram tão rápido para mim, quanto para os demais presentes. A instrutora disse que todos tinham ficado com cara de "quero mais".
O mérito, obviamente, era do Machado...

domingo, 16 de agosto de 2009

celulite???!!!!!



Espaço: Adjacências do trabalho.

Tempo: Retorno do almoço.

Situação: Mendigo que, ao ver três "moçoilas" (daquelas nas quais o termo "balzaquiana" já começa a deixar saudades...), diz:

- Que celulite, hein!

Uma delas:

- Celuliite!!!!!!!!????? Como assim, eu estou de calça!

A segunda:

- Eu também. Que bobo! Celulite!!???

A terceira:

- Eu acho que ele nem sabe o que é celulite.

Todas enfurecidas.

A primeira de novo:

- Não que eu não a tenha. Mas reitero: eu estou de calça. Não dá para enxergá-la.

A segunda de novo:

- Eu também tenho, mas continuo achando que ele não sabe o que é celulite.

A terceira arremata:

- É. Ele deve ter confundido a palavra celulite com silicone.

Desfecho:

As três seguem o caminho um tanto mais resignadas com tão inadequado comentário.

terça-feira, 28 de julho de 2009

autonomia e dependência

Amanheceu. O branco do quarto no hospital começou a incomodar.

Como sempre, os pensamentos fluiam dialeticamente. Eles iam: pequenos planos, algumas idéias. Eles voltavam: uma torrente de lembranças recentes e outras não tão recentes. Eles alinhavavam o passado, o presente e o futuro, perscrutavam a realidade, imaginavam, ponderavam, concluiam...

O pequeno projeto matinal mais próximo era: levantar, tomar uma ducha e trocar de roupa. Mas no primeiro movimento para começar a executá-lo, o corpo fraquejou, a visão embaçou e tudo se tornou misteriosamente escuro.

A mente agitada foi abandonada pelo desfalecimento do corpo, que se acomodou na debilidade causada pela pneumonia, ficando inerte por alguns instantes. Um pouco mais tarde, o intento acabou sendo realizado, mas com a necessária ajuda de outros.

Dessa experiência, ficou o reconhecimento do descompasso existente entre a mente e o corpo em algumas situações.