terça-feira, 27 de outubro de 2009

horas bolas!






Ela sempre fôra pontual. Deveria ter nascido na Suíça. Mas não, ela nascera no Brasil - um país cujos habitantes, em uma quantidade expressiva, possuem alguns hábitos estranhos como, por exemplo, o de chegar a uma festa algumas horas depois do horário combinado.
Um país em que, se alguém quiser que uma reunião comece em um horário "x", marca-la-á pelo menos com meia hora de antecedência, para "dar tempo" de todos chegarem...
Um país em que, se a noiva chegar pontualmente à igreja, correrá o risco de entrar com ela vazia, ou com apenas parte dos convidados presentes. 
Mas voltemos à personagem principal, que aliás tinha entrado na igreja no dia de seu casamento com pouquíssimos convidados (no final da cerimônia, entretanto, a igreja estava repleta). Bem, esta brasileira cansou de encher bexigas nas festas infantis de seus parentes, pois ela acreditava piamente no horário impresso no convite. Resultado: quando chegava na casa do aniversariante ainda havia as bexigas para serem enchidas...
Um dia ela se irritou e disse: - Eu não vou mais chegar no horário marcado. Vou chegar uma hora depois!
Ela encheu bexigas mais uma vez, pois a festa atrasou duas horas...
Esta pessoa foi viajar para outro país e pegou um ônibus de excursão para conhecer uma cidade. Aqueles passeios em que o guia diz:          -Temos quinze minutos para ficar na praia! Vinte minutos para visitar o museu!
Ela, como de costume, preocupadíssima com o horário, cumpriu-os todos.
Bem... quase todos.

Quando ela saiu de um museu, no horário limite, mas sempre atenta ao relógio, o guia lhe disse: - Nesta lojinha os preços são muito bons!
Ela, entretanto, perguntou ao guia: - Mas nós temos tempo? Ele lhe disse prontamente: - Não se preocupe. Fique à vontade...
Ela hesitou um pouco, mas acabou entrando na lojinha. O guia estava por lá. Ela sempre lhe perguntava: - Ainda temos tempo? Ao que ele lhe respondia: - Pode ficar o tempo que quiser.
Ela comprou algo rapidamente.
Quando, finalmente, entrou no ônibus, todos os demais já estavam lá e a encaravam com olhares pouco amistosos.
Ela corou. E ouviu do guia a seguinte explicação a uma turista alemã:
- Vocês alemães são muito pontuais. Mas você tem que entender que ela é brasileira. Os brasileiros são diferentes, não ligam muito para o horário...
A brasileira pontual pensou coisas impublicáveis a respeito do guia...

sábado, 24 de outubro de 2009

murphy, este meu velho conhecido


"Se algo tiver que dar errado... dará!"

O que é pior do que um voo atrasar? É você perder a conexão. O que é pior do que você perder a conexão? É você saber, quando chegar, que o outro voo só irá partir dali sete horas. E o que é pior do que este voo partir dali sete horas? É este outro voo atrasar...

O que é pior do que uma dor aguda no seu dente bem longe de seu dentista? (digamos... 9.000 km de distância?) É o anti-inflamatório e o antibiótico que o seu dentista recomenda por telefone, além de tirarem o seu ânimo, começarem a dar alergia na pele. O que é pior do que se coçar desesperadamente? Algumas aftas aparecerem na sua boca. O que é pior do que algumas aftas na sua boca? Elas se multiplicarem a  ponto de quase impedirem por completo a comunicação e a ingestão de alimentos... (difícil encontrar algo pior do que isto numa viagem...)

Ainda bem que esta malfadada lei nem sempre me acompanha...


quarta-feira, 14 de outubro de 2009

formigas



Adoro formigas. Só me esqueço do quanto as adoro quando elas estão atacando meu doce. 
Gosto de sua determinação.
Já tentou impedir com seu dedo o percurso de uma formiga? Imediatamente, ela tenta outra via. E assim o fará, obstinada e incansavelmente, caso o "espírito momentâneo da maldade" se apodere de você para continuar tentando impedi-la de seguir seu caminho.
Formigas me fazem lembrar da nossa fragilidade, mas também me fazem lembrar da nossa força.
Acho que acordei me sentindo uma formiguinha atômica nesta manhã... Atômica e um tanto quanto piegas...



domingo, 4 de outubro de 2009

pessoas II


Final de tarde em Atenas. Percorro as ruazinhas estreitas do bairro antigo - queria esperar pelo anoitecer antes de voltar para o hotel.
Tento escolher um banco para me sentar. O que tinha visto antes estava ocupado por um casal de namorados no auge da paixão...
- Melhor procurar outro lugar - pensei.
Acabo encontrando um banco numa pracinha com vista para uma pontinha do Pathernon. Só que - já tinha alguém sentado nele também... Mas o cansaço me faz capitular. Antes, reparo se a pessoa poderia ser inconveniente. Era um rapaz mal-vestido de cabelos compridos, estilo "riponga" e olhar para o infinito.
- Deve ser "da paz", concluí. E me sentei.
O rapaz continuou a olhar para o infinito durante a meia hora em que ali fiquei.
Repostas as minhas energias, fui passear mais um pouco: vi um grupo de dançarinos típicos, a animação nos restaurantes. Umas duas horas mais tarde, quando passei pela rua em que havia sentado para descansar, vi que o moço ainda estava lá. Na mesma posição. Com o mesmo olhar fixo.
Aquele cena cortou-me o coração.
Não fiquei com pena por causa de seu estado. Fiquei com pena porque ele estava naquele estado e só.