quinta-feira, 16 de julho de 2009

sem palavras

Nós três iríamos ler nossos discursos em homenagem a uma pessoa. Coincidentemente, estávamos sentados à mesma mesa. O discurso que a minha amiga preparara fôra carinhosamente apelidado por nós de "frankstein". Todos que queriam dizer algumas frases ao homenageado foram procurá-la com um texto rabiscado no papel, pedindo que fosse integrado ao seu discurso. E ela, pacientemente, costurou todos aqueles trechos, juntou com o dela e, o resultado final "caiu bem". O meu, era um discurso num tom intimista. E tinha o discurso dele, uma das pessoas mais brilhantes que já conheci. Eu não conhecia seu teor, mas sabia que seria um discurso espirituoso e inteligente, tal como seu autor. E não me equivoquei.
Hoje, passados alguns anos desta noite, lembro-me dele com saudades.
Ele possuía a sagacidade de poucos, a humildade dos sábios, a simplicidade dos grandes; sempre tinha a frase ironicamente perfeita para proferir em cada situação. Defendera grandes causas em Londres, em Paris, mas estava ali, sinceramente interessado em saber sobre a enxaqueca de alguém. Convivera com os grandes nomes, mas fazia questão de tratar os funcionários menos graduados por seus nomes.
E nos deixou repentinamente numa manhã de outubro. Retirou-se de cena tão delicadamente, como o cavalheiro que sempre fôra. Ficamos mudos, sem conseguirmos balbuciar palavras. Nem discursos.

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